Carrapatos: o que precisamos saber sobre eles | Inova Veterinária

Carrapatos são organismos classificados como parasitas, recebendo esta nomenclatura, pois se nutrem de seu hospedeiro sem diretamente leva-lo à morte. Porém, são organismos altamente especializados na questão de sobrevivência em ambientes inóspitos e caça ao seu hospedeiro, sejam eles cães, cavalos, bovinos, animais selvagens ou humanos.

E quando falamos de carrapatos, temos diversas variações de espécies, cada qual com sua especificação e hábito, por isso, quando pensamos naquele carrapato que encontramos em nossos fiéis companheiros temos que ter a noção que nem todo carrapato é igual, e que nem todo carrapato encontrado no seu animal vai ter o mesmo tamanho.

E o que isso pode significar para você, o seu animal e o ambiente em que convivem?

Neste texto tento passar algumas informações fundamentais para que se possa entender do problema no qual temos que lidar e como combate-lo!

Existe um carrapato chamado de Rhipicephalus sanguineus ou vulgarmente conhecido como carrapato marrom do cão, que causa grandes infestações em áreas urbanas. Pois como falei no início do texto a superação destes organismos para sobrevivência só aumenta, e com ela a sua maneira de adaptar- se. Sendo neste caso as edificações urbanas, causando a sua proliferação maciça e a transmissão de doenças aos nossos cães.

A multiplicação do carrapato acontece fundamentalmente no ambiente com baixa umidade, pois o parasita só ficará no animal tempo suficiente para alimentar- se, e as fêmeas para ficarem ingurgitadas, que seria aquele carrapato que perde a sua forma e acaba se assemelhando a um grão de feijão, após esse processo elas procuram no ambiente um local propício e favorável para a deposição destes ovos. Um dado interessante é que uma única fêmea é capaz de depositar de uma única vez em torno de 5 mil ovos no ambiente, os quais vão passar para as fases de larvas, ninfas e ao carrapato adulto sendo ele fêmea ou macho.

E todas as fases de crescimento deste carrapato obrigatoriamente ocorrem no ambiente e muito comumente no local onde esse animal dorme, pois para sair do ninho e ir em busca do seu hospedeiro, o carrapato dá a preferência de realizar isto no período noturno, por isso, quando localizamos dentro de nossa residência um carrapato andando por muros ou paredes no período diurno, é um sinal que este local está passando uma infestação de carrapatos. Com o tempo estimado de um ciclo completo do carrapato de 30 a 90 dias, este é o tempo necessário para que se comece a notar uma presença maior de carrapatos no animal, então aquele carrapato que as vezes foi achado no cão 10 a 15 dias atrás, não tem correlação com essa proliferação que pode ser vista no animal, pois o carrapato necessita de meses para se desenvolver.

E qual mal isso pode levar aos nossos animais?

O principal dele é a famosa doença do carrapato, que na verdade pode ser um conjunto de fatores e agentes diferenciados. O principal agente causador desta doença é a bactéria denominada de Ehrlichia canis, um patógeno então transmitido pelo Rhipicephalos sanguineus. Os animais infectados por essa bactéria geralmente apresentam: perda de apetite ou até anorexia, apatia, febre, e em casos mais graves sangramento nasal, porém, uma doença do carrapato não diagnósticada e tratada poderá levar este animal à óbito.

Uma dúvida muito frequente também está correlacionada com uma doença, que é a famosa febre maculosa e como ela é transmitida! Neste caso entramos agora no assunto de mais dois tipos de carrapatos que podem ser comuns em áreas de vegetação, mata ciliar e regiões de remanescentes florestais. Assim abordamos o carrapato chamado Amblyomma aureolatum e o Amblyomma sculptum ou previamente conhecido como Amblyomma cajannense, eles são os principais transmissores da bactéria Rickettsia rickettsii, a causadora da febre maculosa em humanos, pois neste caso o principal organismo em risco somos nós, porque somente 10% dos cães chegam a se infectar com esta bactéria, e os sinais clínicos são auto limitantes em sua maioria dos casos, não chegando a causar graves danos a saúde dos animais. Mas em humanos, dos quais se contaminam com o carrapato que primeiramente passaram por animais selvagens, exemplo a capivara, e posteriormente podemos pegar dos cães que adentraram nesta vegetação e se infectaram com este carrapato contaminado. Essa doença tem um alto grau de periculosidade, podendo rapidamente levar o indivíduo a óbito, com isso, a atenção máxima quando circulamos em áreas de vegetação e mais ainda quando estamos e companhia dos nossos amigos peludos. Sempre se protegendo com roupas longas e os animais com produtos carrapaticidas.

Com isso temos que sempre lembrar de produtos tópicos, que possam proteger os cães das picadas destes parasitas, pois eles não são somente um incômodo estético, eles são vetores para a transmissão de diversas doenças! As pipetas com duração de 28 dias são uma alternativa, mas os produtos de longa ação como as coleiras Kiltix e Seresto são interessantes pelo ponto de vista de que sabemos que por meses eles serão protegidos!

Nunca esquecendo do tratamento ambiental, que sempre deve ser focado no local onde este animal tem o hábito de dormir ou passar grande parte do seu dia, no período mínimo de 30 dias a 90 dias, com aplicações semanais de um produtos especializados para o ambiente, lembrando também que a classificação destes produtos para os animais é de veneno, então nunca deixar que o seu animal de estimação entre em contato com o mesmo.

E com essa ação em conjunto, de animal mais ambiente, é o que vai levar ao sucesso da resolução de uma infestação de carrapatos!

Fonte: Geração Pet