Conteúdo revisado pela equipe médica da Inova Hospital Veterinário 24h, composta por médicos-veterinários com formação em clínica geral, vacinação e cuidados preventivos.
A doença do carrapato está entre as mais comuns na rotina veterinária e pode avançar de forma silenciosa antes de qualquer sinal visível.
A doença do carrapato em cachorro é uma das condições mais frequentes na rotina de hospitais veterinários e uma das doenças que mais preocupam os responsáveis.
Transmitida pela picada de um único carrapato contaminado, ela ataca as células sanguíneas do pet e pode evoluir de forma grave quando o diagnóstico demora.
Entender os sintomas da doença do carrapato, reconhecer os sinais de alerta e saber como agir faz toda a diferença para a saúde do seu companheiro.
O que é a doença do carrapato
O termo “doença do carrapato” é popular, mas descreve um grupo de infecções distintas.
Na prática clínica, as mais comuns em cães são a erliquiose, a babesiose e a anaplasmose, todas transmitidas pela picada do carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus), o mais frequente no Brasil.
Cada uma age de forma diferente no organismo:
- A erliquiose é causada pela bactéria Ehrlichia canis, que invade os glóbulos brancos e enfraquece o sistema imunológico do pet;
- A babesiose é provocada pelo protozoário Babesia canis, que destrói os glóbulos vermelhos e provoca anemia;
- A anaplasmose é causada pela bactéria Anaplasma platys, que também compromete as células de defesa do organismo.
As três fazem parte de um grupo chamado hemoparasitoses: doenças em que agentes infecciosos atacam as células do sangue e podem comprometer órgãos vitais.
Segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária, entre 2019 e 2023 houve um aumento de cerca de 35% nos casos de erliquiose em cães no Brasil com maior prevalência nos estados do Sudeste e Nordeste.
Como a transmissão acontece?
A transmissão ocorre quando o carrapato se alimenta do sangue do cão e libera os agentes infecciosos diretamente na corrente sanguínea.
A Dra. Jaqueline, médica veterinária clínica geral da Inova, reforça um ponto importante: um único carrapato já é suficiente para transmitir a doença.
Retirar o parasita rapidamente reduz o risco, mas não elimina completamente a chance de infecção.
A doença do carrapato não se transmite diretamente entre cães, nem do cão para humanos. Para que a transmissão aconteça entre animais, o carrapato precisa picar um cão doente e, em seguida, um cão saudável.
O que são hemoparasitoses?
Hemoparasitoses são doenças causadas por parasitas ou microrganismos que atacam diretamente as células do sangue.
No organismo do cachorro infectado, esses agentes destroem glóbulos vermelhos e brancos, comprometem a produção de plaquetas e sobrecarregam órgãos como fígado e baço.
O resultado é uma cascata de sintomas que vai da fraqueza e anemia até sangramentos e falência de órgãos nos casos mais graves.
Principais sintomas da doença do carrapato em cachorro
Os sintomas da doença do carrapato em cachorro são variados e, no início, facilmente confundidos com mal-estar passageiro.
O pet pode parecer apenas cansado ou com menos apetite e isso leva muitos responsáveis a esperar antes de buscar atendimento.
A doença se desenvolve em três fases:
Fase subclínica
Nessa fase, o organismo convive com a infecção sem apresentar sinais visíveis.
O pet parece completamente normal, mas alterações sutis já aparecem nos exames de sangue. Essa fase pode durar semanas — e em alguns casos se estende por muito mais tempo, dificultando o diagnóstico precoce.
Fase aguda
Os sintomas se tornam perceptíveis. Os mais comuns nessa fase são:
- Febre;
- Apatia intensa — o pet fica muito quieto, sem disposição para brincar;
- Falta de apetite e perda de peso;
- Fraqueza e cansaço fora do habitual;
- Mucosas pálidas (observe as gengivas);
- Vômitos e diarreia;
- Sangramento pelo nariz ou manchas avermelhadas no corpo.
É muito comum os responsáveis atribuírem esses sinais a algo que o pet comeu e esperarem a melhora espontânea.
Sem diagnóstico e tratamento, a doença avança.
Sangramentos e alterações que exigem atenção
Manchas no corpo, urina escura e sangramentos são sinais que vão além do mal-estar comum e indicam comprometimento hematológico importante.
Urina escura ou avermelhada, por exemplo, pode indicar destruição acentuada de glóbulos vermelhos, o que aumenta o risco de complicações sistêmicas.
Gengivas muito pálidas, por sua vez, podem sinalizar anemia intensa ou hemorragia interna. Nesses casos, a avaliação veterinária precisa ser imediata.
⚠️ Sinais que exigem atendimento imediato: urina escura ou avermelhada, gengivas muito pálidas, fraqueza súbita, desmaio ou sangramento sem causa aparente. Não espere: procure a emergência veterinária.
Fase crônica
Os sintomas se agravam e o organismo sofre comprometimento mais amplo.
Baço e fígado podem aumentar de tamanho, a medula óssea reduz a produção de células sanguíneas e o pet fica vulnerável a infecções secundárias como pneumonias e infecções de pele.
Sangramentos podem ocorrer em qualquer fase, pois a queda de plaquetas, células responsáveis pela coagulação, é um efeito frequente das hemoparasitoses.
Por que a doença do carrapato pode ser grave?
A evolução silenciosa é um dos aspectos mais perigosos dessa condição.
O cão pode atravessar a fase subclínica sem nenhum sinal externo, enquanto os parasitas já comprometem suas células sanguíneas.
Quando os sintomas aparecem de forma evidente, o quadro muitas vezes já está em fase aguda ou avançando para a crônica.
Filhotes, cães idosos e pets com imunidade comprometida tendem a desenvolver quadros mais graves e com piora mais rápida.
Na rotina da Inova, os casos mais frequentes envolvem pets com histórico irregular de prevenção: cães que frequentam chácaras, parques ou quintais, animais resgatados e pets que convivem com outros animais infestados.
Muitos responsáveis só percebem o problema quando os sintomas já estão avançados, o que reforça por que a prevenção contínua e o check-up regular fazem diferença.
A doença do carrapato tem cura?
Sim. A doença do carrapato pode ter cura clínica, especialmente quando o diagnóstico é feito de forma precoce e o tratamento começa sem demora.
O prognóstico depende da fase da doença, do estado geral do pet, da intensidade da anemia e da resposta do organismo ao tratamento.
Casos diagnosticados cedo costumam ter evolução muito melhor. Quadros avançados podem exigir internação e transfusão sanguínea, e alguns deixam sequelas mesmo após a recuperação clínica.
Por isso, buscar o veterinário ao primeiro sinal é a decisão mais importante que o responsável pode tomar.
Por que não tratar por conta própria?
A automedicação com antiparasitários ou medicamentos humanos não trata a doença do carrapato.
Além de não resolver o problema, pode mascarar sintomas importantes, atrasar o diagnóstico e causar intoxicação no pet.
O diagnóstico exige exame clínico, hemograma completo e, em muitos casos, exames específicos como sorologias, testes rápidos (4DX) ou PCR.
Só com esse conjunto de informações o veterinário consegue identificar a fase da doença e definir o protocolo adequado.
Como tratar a doença do carrapato?
O tratamento é sempre conduzido por um veterinário, com medicamentos prescritos conforme a fase da doença e os sintomas apresentados.
Não interrompa o tratamento antes do prazo indicado, a melhora clínica não significa cura completa, e a interrupção precoce pode fazer a doença retornar com mais gravidade.
Em casos mais graves, pode ser necessária internação e transfusão sanguínea. O acompanhamento pós-tratamento também é importante para confirmar a recuperação completa.
Se o seu pet recebeu o diagnóstico e você tem dúvidas sobre a alimentação durante o tratamento, a Inova tem um conteúdo específico: Como alimentar cachorro com doença do carrapato?
O que fazer ao suspeitar da doença?
Se o seu pet apresentar apatia, falta de apetite, febre, fraqueza ou sintomas digestivos persistentes, especialmente com histórico de contato com carrapatos, busque avaliação veterinária sem esperar a piora.
Ao chegar à consulta, informe:
- Quando os sintomas começaram;
- Se encontrou carrapatos no pet recentemente;
- Se o pet usa antiparasitários e com qual frequência;
- Se frequenta parques, chácaras ou locais com outros cães.
Essas informações ajudam o veterinário a conduzir a investigação de forma mais ágil e precisa.
Se você fica em Sorocaba, a Inova atende emergências todos os dias, a qualquer hora. Entre em contato e leve o seu companheiro.
Se o pet também está ofegante ou com diarreia, leia:
Cachorro ofegante: quais condições levam a esse sintoma?
Cachorro com diarreia: o que pode ser e como tratar?
Como prevenir a doença do carrapato?
A prevenção é contínua e envolve o pet e o ambiente.
A Dra. Jaqueline, veterinária clínica da Inova, preparou um conteúdo completo sobre o tema. Assista às 5 dicas para prevenir a doença do carrapato no canal do YouTube da Inova.
Controle de carrapatos
Os principais cuidados são:
- Uso regular de antiparasitários indicados pelo veterinário — existem opções em comprimido (com duração de 30 dias a 3 meses) e em coleira;
- Inspeção do pelo após passeios, com atenção às orelhas, entre os dedos e nas dobras da pele;
- Banho regular e higiene adequada — além de manter o pet limpo, o banho facilita a inspeção e a identificação de carrapatos;
- Higienização frequente do ambiente — quintais, canis, frestas de parede e locais úmidos são pontos de proliferação;
- Evitar locais de alto risco, como rios, lagos, parques com capivaras e áreas com grande circulação de animais sem prevenção.
A proteção precisa ser contínua ao longo do ano, não apenas no verão, quando a incidência aumenta.
Leia mais sobre: Doenças infecciosas em cães e gatos
Acompanhamento veterinário
O check-up anual com exame de sangue é uma das formas mais eficazes de detectar alterações silenciosas da doença antes que os sintomas apareçam.
Muitos casos só chegam ao diagnóstico nessa etapa, quando o tratamento é mais simples e o prognóstico, melhor.
Para entender mais sobre antiparasitários e a importância da prevenção regular, assista ao vídeo da Dra. Bárbara Zecchini fala sobre antiparasitários para gatos e reforça por que a proteção vale para todos os pets, independentemente de saírem de casa ou não.
Veja mais:

FAQ — Perguntas frequentes sobre a doença do carrapato
No Brasil, o principal responsável pela transmissão é o carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus), a espécie mais comum no país. Ele transmite os agentes causadores da erliquiose, da babesiose e da anaplasmose. Por isso, a picada de um único carrapato já pode ser suficiente para provocar a infecção.
Sim. A doença do carrapato tem cura clínica, principalmente quando o veterinário faz o diagnóstico de forma precoce e inicia o tratamento rapidamente. Além disso, o prognóstico depende da fase da doença, do estado geral do pet e da rapidez com que o tratamento começa. No entanto, casos mais avançados podem exigir um acompanhamento mais intensivo e, em alguns casos, deixar sequelas.
O veterinário define o tratamento de acordo com a fase da doença e os sintomas apresentados, utilizando os medicamentos mais adequados para cada caso. Além disso, nos quadros mais graves, o pet pode precisar de internação e até de transfusão sanguínea. No entanto, não interrompa o tratamento antes do prazo indicado, pois a melhora clínica não significa, necessariamente, a cura completa.
Não existe um protocolo único para todos os casos. Por isso, após o diagnóstico, o veterinário define os medicamentos mais adequados de acordo com o agente infeccioso, a fase da doença e as condições clínicas do pet. Além disso, a automedicação é contraindicada, pois pode agravar o quadro e comprometer a recuperação.



