Doença do Carrapato. Você sabe como se desenvolve? Inova Veterinária

Já ouviu falar da doença do carrapato?

Também conhecida como erliquiose (ou erlichiose) e babesiose? A doença do carrapato tem esse nome porque é causada por bactérias e protozoários que são encontramos no carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus), aquele mais comum, achatadinho de pernas longas e rápidas! Ele pica o cãozinho para se alimentar do seu sangue transmitindo assim esta doença. É uma enfermidade muito grave que apesar da alta incidência, ainda é muito banalizada pela sociedade! Esta doença tem 3 fases bem marcadas: a subclínica, a aguda e a crônica.

Na fase subclínica os cães, após contraírem a doença do carrapato, passam por uma fase em que não manifestam sintoma algum. Podem passar a vida toda dessa forma, até que, por algum outro fator (queda de imunidade, doença simultânea, etc) ele desenvolve a doença que cursa para a forma aguda ou crônica. A doença do carrapato pode ser fatal! Mas apesar de não existir uma vacina para combatê-la, é uma doença que tem tratamento e muitas vezes, a cura.

Os sintomas da doença são muito inespecíficos, podendo confundir com outras doenças infecciosas, como a cinomose ou a leishmaniose, sendo importante sempre consultar um médico veterinário para poder diferenciar essas doenças. Além da Erliquiose, causada pela bactéria do gênero Ehrlichia, principalmente a Ehrlichia canis, e a babesiose, causada pelo protozoário Babesia canis, os carrapatos podem transmitir outras doenças, como a Anaplasmose e a Doença de Lyme, que são doenças com uma incidência menor no Brasil, sendo menos comum nos cães.

Geralmente a incidência da doença aumenta no verão, porque os carrapatos precisam de calor e umidade para se reproduzirem, então locais pouco arejados, com pouca luz, como frestas de paredes, canis, muros, chão de madeira e portas, são mais propícios para os carrapatos se esconderem e se multiplicarem. A doença do carrapato raramente se desenvolve em gatos ou em humanos, já que o carrapato precisa ficar pelo menos 4 horas picando em um mesmo local para conseguir infectar ou a pessoa que imediatamente retira o parasita quando picado, ou o gato, que tem hábitos de higienização mais frequentes, também sendo mais difícil o parasita se instalar.

O carrapato vai até o cachorro apenas para se alimentar, completando todo seu ciclo de vida no ambiente, por isso é comum o mesmo carrapato picar mais de um cão do ambiente. Quando um carrapato pica um cão infectado pela doença, ele ingere o protozoário da Babesia, ou a bactéria da Erliquia, que passam pelo organismo do carrapato, contaminando os ovos que serão postos no ambiente pela fêmea e depois vão para as glândulas salivares (na boca do carrapato), onde através da saliva, infecta o outro cachorro em sua próxima picada.

doença do carrapato

Após infectado, o período de incubação, que é o tempo entre o animal ter sido infectado até a manifestação dos primeiros sintomas, pode variar de 1 a 3 semanas. Os sintomas vão depender muito da reação do organismo de cada animal, podendo apresentar 3 fases:

  • Fase aguda, a subclínica e a crônica. Fase aguda: nessa fase o animal doente pode transmitir a doença e é provável que se encontre carrapatos nesse. O cachorro pode apresentar principalmente febre, perda de apetite, apatia (tristeza), e alguns até apresentam sangramento pelo nariz, vômitos, manchas vermelhas pelo corpo, diarreia. É muito comum acharem que o cão pode ter comido algo diferente e que está com esses sintomas por isso, pensando que logo esse mal-estar vai passar, e a doença acaba evoluindo. Lembrando que o diagnóstico precoce é essencial para a recuperação do animal, e quanto mais a doença evolui, maiores as chances de complicações e de uma resposta ruim ao tratamento. 
  • Fase subclínica: pode durar de 6 a 10 semanas, e existem animais que ficam nessa fase por muito mais tempo que isso. Nesta fase não aparecem os sintomas, ou são tão sutis que passam despercebidos, sendo identificada apenas por alterações no exame de sangue. Se o sistema imunológico do animal não conseguir combater a doença, o animal passa para a fase crônica da doença. 
  • Fase crônica: os sintomas persistem e são mais facilmente percebidos, sendo mais graves e mais difíceis de reverter. O animal pode continuar apresentando sintomas como da fase aguda, entre outros sintomas mais graves, como aumento de órgãos (baço e fígado), pequenas hemorragias, e pode acometer a medula, responsável pela produção de glóbulos vermelhos (causando anemia profunda) e glóbulos brancos (as células de defesa do organismo), ficando mais predispostos a desenvolverem infecções secundárias, como pneumonias, infecções de pele e diarreias persistentes, piorando ainda mais o quadro do animal.

Os sangramentos podem ocorrer em qualquer fase devido a diminuição das plaquetas, que são células responsáveis pela coagulação no sangue. O diagnóstico se dá pela junção dos sintomas e exames de sangue. O hemograma irá sugerir a doença quando for encontrado no exame a diminuição das plaquetas, podendo também apresentar diminuição dos glóbulos vermelhos (anemia) e queda dos glóbulos brancos (leucócitos, que são as células de defesa).

O diagnóstico definitivo somente será feito por exames mais específicos, como testes rápidos, sorologias e/ou PCRs. O tratamento deve sempre ser feito com a orientação e acompanhamento de um médico veterinário de sua confiança, com a utilização da associação de medicamentos adequados para cada fase da doença. Na maioria das vezes os cães apresentam melhora dos sintomas logo no início do tratamento. Vale ressaltar que é muito importante que o tratamento seja levado a sério até o fim, porque a melhora do animal não significa que ele esteja curado, e se o tratamento não for realizado corretamente, a doença pode voltar, com uma gravidade ainda maior, podendo ser irreversível em alguns casos.

Como prevenir?

Existem produtos específicos para o controle dos carrapatos, tanto do ambiente como no animal. Esses produtos podem ser orais, coleiras, ou de passar na pele! Procure seu veterinário para saber qual a melhor opção para o seu pet. Além da proteção podemos realizar sempre a inspeção após passeios, caminhadas, ou brincadeiras em locais que podem entrar em contato com o parasita, como em praças, chácaras, locais onde frequentam outros animais. Enquanto faz um carinho em seu pet, procure nas patinhas, entre os dedos, nas orelhas.