Conteúdo revisado pela equipe médica da Inova Hospital Veterinário 24h, composta por médicos-veterinários com formação em clínica geral, vacinação e cuidados preventivos.
Saiba como identificar um cachorro com leishmaniose, entenda a transmissão e veja como proteger seu pet com prevenção eficaz.
A leishmaniose, também chamada popularmente de doença do mosquito-palha, é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania infantum, considerada uma importante zoonose por afetar tanto cães quanto seres humanos.
No Brasil, a forma mais comum em cães é a leishmaniose visceral, conhecida também como calazar em cachorro, que pode comprometer diversos órgãos e sistemas do organismo do pet.
Por isso, entender os sinais e a forma de transmissão ajuda o responsável a agir cedo e buscar avaliação veterinária no momento certo.
O que é a leishmaniose?
Após a infecção, o parasita invade principalmente células do sistema imunológico e pode se disseminar pelo organismo, afetando pele, linfonodos, baço, fígado, medula óssea, rins e olhos.
A resposta imunológica de cada cão influencia diretamente na evolução da doença.
Alguns pets permanecem assintomáticos por longos períodos, enquanto outros desenvolvem manifestações clínicas graves e progressivas.
Sem acompanhamento adequado, a doença pode levar ao comprometimento sistêmico, especialmente dos rins, considerado um dos fatores que mais impacta a evolução clínica em cães com leishmaniose.
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), no Brasil são registrados anualmente cerca de 3.500 casos de leishmaniose visceral em seres humanos, o que reflete a importância da doença também na população canina, já que o cão é o principal reservatório urbano do parasita.
Leishmaniose visceral, cutânea e tegumentar: qual a diferença?
A leishmaniose visceral é a forma mais relevante para cães no Brasil e é o foco deste conteúdo.
Já a leishmaniose cutânea, também chamada de leishmaniose tegumentar, afeta principalmente a pele e está mais associada a casos de leishmaniose em humanos, causada por espécies diferentes do protozoário.
Quando o assunto é leishmaniose humana, os sintomas e o tratamento seguem protocolos próprios da medicina humana, conduzidos por médicos e não pela equipe veterinária.
Já a leishmaniose em cachorro, tema deste artigo, exige avaliação e acompanhamento de um médico-veterinário.
Como a doença é transmitida?
A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito-palha infectado, que adquire o parasita ao se alimentar do sangue de um cão ou outro hospedeiro infectado e o transmite na picada seguinte.
O cão não transmite a doença diretamente para outros cães nem para as pessoas.
Em vez disso, ele atua como um dos principais reservatórios do parasita em áreas urbanas e rurais.
Por isso, a participação do mosquito-palha é indispensável para que a transmissão aconteça.
O papel do mosquito-palha.
O vetor responsável pela transmissão no Brasil é o mosquito-palha da espécie Lutzomyia longipalpis, segundo o Ministério da Saúde.
Ele é pequeno, de coloração amarelada, e costuma ficar mais ativo entre o fim da tarde e o início da noite, se reproduzindo em ambientes com matéria orgânica em decomposição.
Por que a doença preocupa responsáveis e veterinários?
A leishmaniose preocupa médicos-veterinários e responsáveis por pets porque é uma doença crônica, de difícil controle epidemiológico e potencialmente grave, sem cura.
Além de comprometer seriamente a saúde do cão, representa um desafio de saúde pública nas regiões onde o vetor está presente.
O CRMV-SP reforça esse ponto: para cada cão com sintomas visíveis em uma área onde a doença já circula, existem outros cinco aparentemente saudáveis, mas já infectados e capazes de transmitir o protozoário ao vetor.
Quais são os sintomas da leishmaniose em cães?
Alguns cães permanecem sem sintomas por meses ou até anos, enquanto outros desenvolvem manifestações importantes desde cedo.
A seguir, os principais sinais de leishmaniose em cachorro observados na rotina clínica.
Alterações na pele e queda de pelos.
Feridas que não cicatrizam, descamação, dermatites e crostas costumam aparecer primeiro, especialmente ao redor dos olhos, orelhas e focinho.
Perda de peso e apatia.
O emagrecimento progressivo, mesmo com alimentação adequada, junto com apatia, redução da disposição e intolerância ao exercício, é um dos sinais mais frequentes em um cachorro com leishmaniose.
Crescimento excessivo das unhas.
A onicogrifose, crescimento anormal e mais rápido das unhas, é considerada um sinal clínico bastante característico da leishmaniose canina.
Alterações oculares.
Conjuntivite, uveíte, ceratite e outras inflamações oculares podem comprometer a visão do pet e merecem avaliação de um veterinário especializado em oftalmologia.
Linfonodos aumentados e sangramentos nasais.
O aumento dos linfonodos é um achado comum no exame clínico. Em alguns pacientes, também podem ocorrer sangramentos nasais espontâneos.
Comprometimento renal, hepático e articular.
Em estágios mais avançados, a leishmaniose pode comprometer os rins, levando ao aumento da ingestão de água, aumento da produção de urina e, sem controle, evolução para insuficiência renal.
Alterações hepáticas, hematológicas e articulares também podem estar presentes.
O comprometimento renal é apontado pelos veterinários da Inova como um dos principais fatores associados a complicações mais sérias, por isso o acompanhamento da função dos rins é parte essencial do cuidado contínuo.
Leishmaniose pode passar para humanos?
Como ocorre a transmissão?
Sim, a leishmaniose visceral é uma zoonose e pode acometer seres humanos.
A transmissão para pessoas também ocorre exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado, nunca pelo contato direto com o cão.
Mitos e verdades sobre o contato com cães.
Mito: a doença passa pelo contato direto com o cão.
Verdade: é necessária a participação do mosquito-palha para que a transmissão ocorra. Não há risco ao acariciar, conviver ou cuidar de um pet com leishmaniose.
Mito: todo cão com leishmaniose transmite a doença para as pessoas.
Verdade: o cão pode servir como reservatório do parasita, mas, sem o vetor, a transmissão não acontece.
Verdade: controlar o mosquito e proteger os cães são medidas fundamentais tanto para a saúde animal quanto para a saúde pública.
O que dizem os órgãos de saúde?
De acordo com o Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral, se não tratada, pode levar a óbito em até 90% dos casos, o que reforça por que o controle da doença em cães também é tratado como uma questão de saúde pública.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado pela associação entre histórico clínico, exame físico e exames laboratoriais específicos.
Exames laboratoriais.
Entre os principais exames solicitados estão:
- Testes sorológicos para pesquisa de anticorpos;
- Testes rápidos, usados como ferramenta de triagem quando indicados;
- Exames moleculares, como PCR, que identificam o DNA do parasita;
- Exames citológicos ou histopatológicos em casos selecionados;
- Hemograma completo;
- Perfil bioquímico, com atenção especial à avaliação renal e hepática;
- Urinálise e relação proteína:creatinina urinária, para investigar possível lesão renal.
Importância do diagnóstico precoce.
O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes que ocorram lesões irreversíveis, especialmente nos rins, além de possibilitar medidas rápidas de controle do vetor, reduzindo o impacto da doença na saúde pública.
Existe tratamento para leishmaniose?
Objetivos do tratamento.
O objetivo não é eliminar completamente o parasita do organismo do cão, mas reduzir sua multiplicação, controlar os sinais clínicos, preservar a função dos órgãos e diminuir a carga parasitária.
Controle da doença.
O acompanhamento pode incluir medicamentos específicos indicados pelo veterinário, terapias de suporte e tratamento das complicações, principalmente quando há comprometimento renal. Cada protocolo é individualizado conforme a avaliação clínica do pet.
Acompanhamento veterinário contínuo.
O acompanhamento é fundamental e deve continuar por toda a vida do pet. Durante esse período, exames periódicos monitoram a evolução clínica, a função renal e hepática, a resposta ao tratamento, a necessidade de ajustes e o controle da carga parasitária para prevenir recaídas. A adesão a esse acompanhamento é um dos fatores que mais influencia o sucesso terapêutico.
Como prevenir a leishmaniose.
A prevenção envolve principalmente impedir a picada do mosquito-palha e reduzir sua presença no ambiente. A combinação de medidas oferece proteção significativamente maior do que qualquer uma isolada.
Controle do mosquito-palha.
Manter quintais limpos, retirando matéria orgânica em decomposição, folhas acumuladas e restos vegetais, reduz os locais onde o mosquito-palha se reproduz.
Uso de coleira para leishmaniose e repelentes.
A coleira para leishmaniose, com ação repelente específica contra o flebotomíneo, é uma das medidas mais eficazes de prevenção.
Repelentes tópicos, aplicados conforme orientação veterinária, complementam essa proteção.
Controle ambiental e orientação veterinária.
Telas de proteção em janelas e portas, além de evitar a exposição do pet ao entardecer e à noite, período de maior atividade do mosquito, complementam a prevenção.
Um veterinário especializado em medicina preventiva pode avaliar, junto com o responsável, quais medidas fazem sentido para a rotina de cada pet, incluindo o calendário de imunizações descrito em: Vacina para cachorro: 5 tópicos que você precisa saber.
Quando procurar atendimento veterinário?
Sinais que merecem investigação.
Perda de peso sem causa aparente, alterações persistentes de pele, crescimento excessivo das unhas, feridas que não cicatrizam, aumento dos linfonodos, alterações oculares, apatia ou sinais de doença renal merecem avaliação, especialmente se o pet vive ou frequenta regiões onde a leishmaniose ocorre.
Mesmo cães aparentemente saudáveis podem precisar de investigação quando vivem em áreas endêmicas ou têm outros fatores de risco, já que muitos permanecem assintomáticos por longos períodos.
Esse tipo de sinal também pode aparecer em outras doenças infecciosas transmitidas por vetores, como a doença do carrapato, a cinomose e a parvovirose, o que reforça a importância do diagnóstico diferencial feito por um veterinário.
Para uma visão mais ampla de quando um sintoma pede atenção imediata, veja:
Sintomas em cachorro: quando ir para a emergência.
A importância da avaliação precoce.
A avaliação precoce permite confirmar ou descartar o diagnóstico rapidamente, iniciar o acompanhamento quando necessário, monitorar possíveis complicações antes que se tornem irreversíveis e implementar medidas de controle da transmissão pelo mosquito-palha.
Isso aumenta as chances de controle da doença, melhora a qualidade de vida do pet e contribui para a proteção da saúde pública.
Conte com a Inova Hospital Veterinário 24h.
A Inova conta com veterinários focados na medicina preventiva para acompanhar cada etapa do diagnóstico e do acompanhamento da leishmaniose.
Conheça também o Plano de saúde pet, com pacotes de exames organizados por fase de vida do pet.
Se o seu pet apresentou qualquer sinal descrito neste conteúdo, não espere: o Veterinário 24h em Sorocaba está disponível todos os dias, por ordem de chegada.

Perguntas frequentes sobre leishmaniose
É uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitida pela picada do mosquito-palha. Os principais sintomas incluem feridas de pele que não cicatrizam, queda de pelos ao redor dos olhos e focinho, emagrecimento, apatia, crescimento excessivo das unhas e, em casos avançados, comprometimento renal.
A transmissão ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito-palha infectada, nunca por contato direto com o cão. Como é uma zoonose, a leishmaniose também pode acometer seres humanos, mas sempre pela picada do vetor, e não pelo convívio com o pet.
Não existe cura definitiva, mas existe tratamento. Com acompanhamento veterinário contínuo, é possível controlar os sinais clínicos, preservar a função dos órgãos e manter a qualidade de vida do pet.
Coleira para leishmaniose com ação repelente, repelentes tópicos, telas de proteção, controle ambiental e orientação veterinária são as principais medidas de prevenção.



